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Elas vão e vem

Mas nunca me convenceram

Saúdo o som agudo

Respiro. E continuo…

Porque se irritam tanto?

Porque me irrita tanto?

Porque tudo é exagero de dizer?

Nunca te fiz sentir prazer?

Lá, de longe, me olham

Pode fingir, eu não ligo

Não ligo, não chamo, não choro

Amolo demais, fugas atrás

Já não sei se valem a pena

Já não sei se valem

Já não sei a pena que seria

Não sentir o perfume que exalam

Caladas, esperam, sorriem

Calado, espero, sozinho

Fico à mercê do desatino

Atino, aflito, afino o tom

Duvidas me consomem

Certezas me destroem

Angústias me reconstroem

Amores somem

A credibilidade da comunicação institucional nas redes sociais
Por Pedro Durán Meletti

Se o assunto da roda de amigos, do sala na faculdade ou do grupo de jornalistas na cobertura de um evento é a temática dos direitos autorais, existe um tópico que não pode (mais) faltar na discussão: a internet.

Que os grandes jornais e revistas começaram há alguns anos a realizar uma venda casada entre conteúdo virtual e conteúdo impresso, de modo que você compra um pacote de informações, já é algo sabido. Mas que cada vez mais estes veículos tendem a se enfurnar em meios informais de comunicação digital, como o Twitter e o Orkut, é uma polêmica bastante controversa.

Alguns dos grandes meios de comunicação brasileiros – como a Globo, a Folha, o Estado, a Veja, a CBN e outros – ainda tem grande receio em criar alguma iniciativa oficial em uma rede virtual terceira. Preferem apostar no obvio e usar-se dos tradicionais sites próprios, infelizmente muitas vezes mais institucionais do que informativos, como é o caso do SBT. Outros médios já se aventuraram a adotar um caráter um pouco mais oficial nas redes sociais virtuais, como é o caso da Rádio Nova Brasil FM, que tem em sua comunidade do Orkut como moderadores e mediadores, âncoras dos programas da rádio e já alcançou mais de 13 mil seguidores.

Fora do Brasil há uma flexibilização maior do que podemos chamar de “uso institucional” ou “oficial” das redes sociais virtuais. Bom exemplo é o caso do New York Times, que criou no Twitter um perfil para cada editoria do jornal e envia diariamente uma bateria de notícias especializadas. Alguns programas informativos de TV, como o CQC e o Roda Viva tiveram mais iniciativa para realizar este tipo de inserção oficial de sua marca nas redes.

Mas é preciso que a sociedade reflita sobre este tipo de movimentação midiática. Uma das questões que tem de ser obrigatoriamente alcançada nesta reflexão é a da contraposição entre a informalidade do meio digital e a formalidade da aparição oficial do veículo. Em termos de direitos autorais, deve-se contemplar as “twittadas” do Diário do Grande ABC e também os posts de um jornal de bairro no Orkut. Como em qualquer outro espaço virtual, esta produção deve ser amparada por direitos legais. Para isso, os legisladores precisam entender as redes virtuais com mais complexidade e importância.

Há, portanto, um movimento ainda mais moderno do que a utilização das redes pelos meios de comunicação jornalísticos. É a aparição de iniciativas do poder público nestas redes. A ex-vereadora e atual Subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, adotou em seu perfil do Twitter uma postura oficial e até aproveita a ferramenta para divulgar informações e conselhos aos munícipes de sua jurisdição.

O Departamento de Polícia de Milwaukee fez o mesmo e, com mais de mil seguidores, aproveita o Twitter para divulgar informações sobre os crimes que acontecem na cidade e prestar esclarecimentos àquela população. O Departamento só seguiu uma tendência que se alastrou na cidade toda com órgãos de imprensa, turismo e museus criando perfis e divulgando suas informações. As cidades de Baltimore, Sacramento, Fairfield, Hanover, Spokane, Boston, Toronto, North Charleston e Mount Juliet – e muitas outras – fizeram o mesmo.

Mas estas iniciativas são completamente desconfiáveis e, aí, chegamos em um ponto crucial desta discussão. A cidade de sacramento, por exemplo, não publicou até agora nenhum conteúdo, apesar de seus quase 200 seguidores. Sem nada que comprove a veracidade do perfil oficial, como o visitante pode ter certeza de que aquelas informações são institucionais de determinado órgão e não de um perfil fake (falso)?

Há dois caminhos para quem acessa a página: confiar ou não no que ali está escrito. Se opta pelo primeiro, nunca vai confiar 100% naquelas informações, pois carecemos de um selo de veracidade ou um certificado de comprovação do mérito daquela entidade na criação de seu perfil online.

Como se trata de ambiente internacional, é evidente e latente a necessidade de que uma legislação internacional ou reserve para os meios de comunicação e órgãos seu nick correspondente (isso impediria que o perfil que leva o nome “Marquette University” fosse de qualquer pessoa que não a própria universidade) ou então que crie um mecanismo de verificação que legitime os perfis cadastrados.

Uma vez legitimados pela rede, eles ganham um caráter mais oficial ainda e seguem a tendência que penetrou há alguns anos no meio jurídico considerando emails documentos legalmente aceitos. Fazendo isso, o usuário da internet ganha mais tranqüilidade na hora de acessar informações e notícias e a entidade ou sujeito tem sua credibilidade impulsionada.

Mas com esta medida drástica, a burocracia da publicação do conteúdo virtual seria bastante aumentada e o bom humor de perfis fakes de personalidades no Orkut e no Twitter desapareceria.

No Twitter:

CQC

Roda Viva

Diário do Grande ABC

Soninha Francine

Polícia de Sacramento

Polícia de Milwalkee

Universidade de Marquette

Os últimos suspiros da Lei Rouanet
Por Pedro Durán Meletti

Que a Lei Rouanet está chegando a seu triste fim é fato. Mas pouco se sabe até agora sob quais bases sólidas poderá divagar o novo projeto – de criação de um programa de fomento e de um fundo de cultura – que pode ser rabiscado e alterado pelos nossos estimados deputados.

Hoje, a principal base da lei de incentivo à cultura é a renúncia fiscal, onde os patrocinadores do projeto preponente à lei abatem percentuais variados de seu imposto de renda, aproveitados em sua totalidade para projetos culturais, mediante a aprovação do Minc e da Cnic e a devida prestação de contas.

A nova proposta necessariamente fortalece o cofre do Minc, repassando a ele os recursos dos quais o patrocinador abre mão para a construção de um Fundo Nacional. Em outras palavras, em vez de as grandes empresas com lucro real patrocinarem um projeto específico, elas investirão nos cofres do Minc e confiarão a ele a distribuição de “seu” dinheiro. Além de alimentarem este fundo outras inúmeras e quase inexpressivas “doações”.

O primeiro grande acerto desta total revolução do mercado cultural brasileiro é o foco público. Levando-se em consideração que a verba da renúncia fiscal pertence ao governo e que o governo deve prestar serviço público, é inconcebível pensarmos que as grandes empresas estão deixando de pagar impostos para exporem suas logomarcas em peças de teatro nos shoppings mais caros de São Paulo que cobram R$ 120 a entrada. Para quem será que esta cultura está sendo difundida? A idéia do Minc é aprovar apenas os projetos com foco público. Ponto para eles.

É inegável que existem grandes distorções na utilização atual da Lei. Uma delas é a burocracia a qual se concerne à apresentação de um projeto. Para algo que não busque mais de R$ 30 mil fica inviável solicitar o amparo da Lei, o que deixa exíguo o número de edições de livros, por exemplo, que poderiam ser feitas. Esta burocracia é outro entrave que precisa ser revisto.

Mas na nova forma de formatação da lei, a empresa patrocinadora não tem absolutamente o retorno que tinha, quando podia escolher a dedo um projeto e ganhar a exposição de sua logomarca. Isso dificultaria o investimento no Fundo, já que “eu, como empresário, se invisto não ganho nenhum retorno, mas perco com a burocracia exigida” pelo novo projeto. Isto precisa mudar.

Outro ponto que é bastante conflituoso é a utilização do material subsidiado pelo governo para a difusão da cultura. Tirar do autor o direito de receber os créditos por sua obra é, muitas vezes, privá-lo de algo que o motivou a criá-la. O argumento do Minc é que, uma vez o dinheiro público tendo sido investido neste projeto, o cidadão não pode “pagar novamente” para ter acesso a ele. O que me parece claro que não acontecerá, uma vez mudado o foco para apenas com eventos abertos ao público (ou de caráter público)!

Há ainda o “vale-cultura”. Segundo o Ministro Juca Ferreira, em entrevista para a TV Senado, o trabalhador receberá um vale mensal de 50R$ – se desejar -, que custará ao seu bolso R$ 10 e ao bolso do Fundo outros R$ 40. Este vale poderá ser usado para o consumo de diversos tipos de produtos culturais. Soa interessante você poder ir ao cinema e gastar R$ 10 para levar seus dois filhos e sua esposa para ver um filme.

De fato, algumas das idéias propostas são bastante interessantes. Acho difícil que o Governo consiga comprometer o mercado da produção cultural, tirando a possibilidade de um “patrocinador” abonado escolher onde vai investir e ter retornos com esse investimento. Por outro lado, o dos pequenos proponentes, diminuir a burocracia e democratizar a distribuição de recursos seria ótimo.

Mas o que é mais central nesta discussão é que o conceito de cultura precisa ser aliado ao que podemos chamar de “serviço público”, já que estamos falando de dinheiro do governo, meramente redirecionado. A Nova Lei precisa pensar em ajudar mais os que sobrevivem apenas por ela (que não tem venda de ingressos, por exemplo) e menos os que conseguirão uma forma de viver sem que ela exista. Só espero que esta informação chegue de modo bem didático ao público, para que ele possa participar da discussão e opinar, remodelando a Lei Rouanet, uma paciente terminal do Governo Federal.

Link para o Projeto de Lei
Link para a Lei Rouanet (atual)

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