A credibilidade da comunicação institucional nas redes sociais
Por Pedro Durán Meletti
Se o assunto da roda de amigos, do sala na faculdade ou do grupo de jornalistas na cobertura de um evento é a temática dos direitos autorais, existe um tópico que não pode (mais) faltar na discussão: a internet.
Que os grandes jornais e revistas começaram há alguns anos a realizar uma venda casada entre conteúdo virtual e conteúdo impresso, de modo que você compra um pacote de informações, já é algo sabido. Mas que cada vez mais estes veículos tendem a se enfurnar em meios informais de comunicação digital, como o Twitter e o Orkut, é uma polêmica bastante controversa.
Alguns dos grandes meios de comunicação brasileiros – como a Globo, a Folha, o Estado, a Veja, a CBN e outros – ainda tem grande receio em criar alguma iniciativa oficial em uma rede virtual terceira. Preferem apostar no obvio e usar-se dos tradicionais sites próprios, infelizmente muitas vezes mais institucionais do que informativos, como é o caso do SBT. Outros médios já se aventuraram a adotar um caráter um pouco mais oficial nas redes sociais virtuais, como é o caso da Rádio Nova Brasil FM, que tem em sua comunidade do Orkut como moderadores e mediadores, âncoras dos programas da rádio e já alcançou mais de 13 mil seguidores.
Fora do Brasil há uma flexibilização maior do que podemos chamar de “uso institucional” ou “oficial” das redes sociais virtuais. Bom exemplo é o caso do New York Times, que criou no Twitter um perfil para cada editoria do jornal e envia diariamente uma bateria de notícias especializadas. Alguns programas informativos de TV, como o CQC e o Roda Viva tiveram mais iniciativa para realizar este tipo de inserção oficial de sua marca nas redes.
Mas é preciso que a sociedade reflita sobre este tipo de movimentação midiática. Uma das questões que tem de ser obrigatoriamente alcançada nesta reflexão é a da contraposição entre a informalidade do meio digital e a formalidade da aparição oficial do veículo. Em termos de direitos autorais, deve-se contemplar as “twittadas” do Diário do Grande ABC e também os posts de um jornal de bairro no Orkut. Como em qualquer outro espaço virtual, esta produção deve ser amparada por direitos legais. Para isso, os legisladores precisam entender as redes virtuais com mais complexidade e importância.
Há, portanto, um movimento ainda mais moderno do que a utilização das redes pelos meios de comunicação jornalísticos. É a aparição de iniciativas do poder público nestas redes. A ex-vereadora e atual Subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, adotou em seu perfil do Twitter uma postura oficial e até aproveita a ferramenta para divulgar informações e conselhos aos munícipes de sua jurisdição.
O Departamento de Polícia de Milwaukee fez o mesmo e, com mais de mil seguidores, aproveita o Twitter para divulgar informações sobre os crimes que acontecem na cidade e prestar esclarecimentos àquela população. O Departamento só seguiu uma tendência que se alastrou na cidade toda com órgãos de imprensa, turismo e museus criando perfis e divulgando suas informações. As cidades de Baltimore, Sacramento, Fairfield, Hanover, Spokane, Boston, Toronto, North Charleston e Mount Juliet – e muitas outras – fizeram o mesmo.
Mas estas iniciativas são completamente desconfiáveis e, aí, chegamos em um ponto crucial desta discussão. A cidade de sacramento, por exemplo, não publicou até agora nenhum conteúdo, apesar de seus quase 200 seguidores. Sem nada que comprove a veracidade do perfil oficial, como o visitante pode ter certeza de que aquelas informações são institucionais de determinado órgão e não de um perfil fake (falso)?
Há dois caminhos para quem acessa a página: confiar ou não no que ali está escrito. Se opta pelo primeiro, nunca vai confiar 100% naquelas informações, pois carecemos de um selo de veracidade ou um certificado de comprovação do mérito daquela entidade na criação de seu perfil online.
Como se trata de ambiente internacional, é evidente e latente a necessidade de que uma legislação internacional ou reserve para os meios de comunicação e órgãos seu nick correspondente (isso impediria que o perfil que leva o nome “Marquette University” fosse de qualquer pessoa que não a própria universidade) ou então que crie um mecanismo de verificação que legitime os perfis cadastrados.
Uma vez legitimados pela rede, eles ganham um caráter mais oficial ainda e seguem a tendência que penetrou há alguns anos no meio jurídico considerando emails documentos legalmente aceitos. Fazendo isso, o usuário da internet ganha mais tranqüilidade na hora de acessar informações e notícias e a entidade ou sujeito tem sua credibilidade impulsionada.
Mas com esta medida drástica, a burocracia da publicação do conteúdo virtual seria bastante aumentada e o bom humor de perfis fakes de personalidades no Orkut e no Twitter desapareceria.
No Twitter:
CQC
Roda Viva
Diário do Grande ABC
Soninha Francine
Polícia de Sacramento
Polícia de Milwalkee
Universidade de Marquette